quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Dos bebês nascem coisas


DOS BEBÊS NASCEM COISAS
Percurso formativo para professores e gestores de Educação Infantil

Da paixão que tenho em Rodari a Munari nasce o título fantástico deste percurso formativo. O primeiro, um importante nome na literatura infantil, grande filósofo e conhecedor dos temas da criação, da fantasia e da imaginação que contribuiu com as reflexões da Pedagogia Italiana. O outro, também italiano, aparece como um dos principais nomes no cenário mundial na área do design, da arquitetura e da comunicação. Esses dois autores, um que gostava de brincar com as palavras e o outro, que gostava de transcender os métodos tornam-se, neste trabalho, uma referência na elaboração disto que chamo de Percurso Formativo.
O Percurso formativo é compreendido como um conjunto de ações que buscam sublinhar uma reflexão sobre um determinado campo, neste caso, o das Pedagogias para a Pequena Infância. Diferente de um curso, este Percurso propõem aos participantes a produção de uma narrativa individual que parte dos caminhos singulares traçados por cada um, e, na medida em que o percurso formativo acontece, estas experiências já vividas aparecem para ser (re)significadas.
Os encontros formativos, as leituras encaminhadas, os exercícios de registros que serão construídos em um inventário, compõem esse percurso que se coloca aberto para os participantes continuarem mesmo ao final dos encontros.
Assim, a partir da metáfora do nome deste percurso, proponho discutir o que as crianças bem pequenas nos convocam em contextos de vida coletiva e, a luz de um cenário teórico escolhido, refletir o que nasce dos bebês e o que se pode fazer com as “coisas” que emergem de sua relação com o mundo. Este cenário teórico situa-se no campo das Pedagogias para a Pequena Infância, e sendo a Pedagogia um campo da ambiguidade, é neste cenário que alguns interlocutores são chamados a elucidar e auxiliar na reflexão proposta: Loris
Malaguzzi, Emmi Pikler e Jerome Bruner formam este tripé que sustenta o debate.
Vale destacar que não se trata de um percurso formativo que deseja trazer esta ou aquela abordagem para ser “traduzida” em nossos contextos, mas sim, que em um exercício crítico aporta-se nos princípios que estes autores produziram em seus campos de estudo.
No que se refere aos temas que desencadearão os estudos, destaco:
• As proposições atuais das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, como um instrumento legítimo que orienta a elaboração, execução e avaliação de propostas educativas no Brasil.
• As Práticas Cotidianas como eixo que organiza o currículo e, por isso, as dimensões de tempo, espaço e materiais.
• A articulação do patrimônio de conhecimento das crianças com o patrimônio de conhecimento já acumulado pela humanidade.
• O processo formativo no interior das escolas, travados pelo exercício da observação, do registro e da interpretação das experiências educativas das crianças.
• A produção das narrativas que compartilham e revelam as imagens das crianças, de docência e de conhecimento.
Tais temas estão entrelaçados na possibilidades dos próprios participantes poderem ao longo do percurso ir produzindo reflexões sobre a dinâmica e a produção do conhecimento na escola da infância.
Quanto a dinâmica do percurso formativo, propõem-se encontros quinzenais, de 8 horas, e o encaminhamento de leituras e produção de registros que servirão de observáveis para as reflexões dos encontros.

Paulo Sergio Fochi - Mestre em Educação (UFRGS), Especialista em Educação Infantil (Unisinos); Especialista em Gestão e Organização de Escola (Unopar) e Pedagogo (Unopar). Coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, atuou como coordenador Pedagógico e professor de Escola Infantil por mais de dez anos, Supervisor do projeto de Assessoramento técnico-pedagógico do MEC/UFRGS a 167 municípios do RS que aderiram ao Proinfância e consultor e formador de professores, atuando nacional e internacionalmente com os temas do currículo e da Educação Infantil. Autor do blog Catadores da Cultura Infantil e coordenador do OBECI – Observatório da Cultura Infantil. É pesquisador colaborador do GEIN - Grupo de Estudos de Educação Infantil da UFRGS. Organizador de dois livros sobre o tema da Educação Infantil e autor de artigos científicos publicados em revistas da área. Atua também no assessoramento de Redes Municipais de Ensino e a Escolas Infantis, em projetos especiais e no desenvolvimento de produtos e conteúdos para crianças, como o de teatro para bebês - Cuco.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Entrevista: “Estimular os bebês é um equívoco”

Entrevista

Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook /
Educação infantil

“Estimular os bebês é um equívoco”


Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul

Publicado em 01/12/2013 | Rosana Félix  | Gazeta do Povo (clique aqui para acessar no site do jornal)

Os bebês não precisam de estímulos constantes. São curiosos por natureza e, para que se desenvolvam em plenitude, ações simples, como providenciar um ambiente seguro são suficientes. O pedagogo e educador Paulo Fochi é categórico ao criticar modismos na educação infantil. Para ele, o maior desafio é planejar a educação infantil a partir das necessidades dos bebês. “A produção de conhecimento tem de ser feita de uma forma que tenha sentido para a criança. Há uma tendência atual muito forte para estimular bebês e isso é um equívoco do meu ponto de vista.”
No início de novembro, Fo­chi conquistou a plateia formada por educadores no 7.º Seminário Municipal de Edu­cação Infantil, em Curitiba, com sua visão sobre o tema. Por telefone, ele conversou com a Gazeta do Povo:
Qual é o maior problema que observa na educação infantil?
Compartilho com os estudos que indicam que o grande desafio para a educação infantil, para as crianças de zero a 6 anos, está em descobrir como é ser professor sem dar aula, presente também nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Mas é preciso atentar que isso não significa deixar a coisa acontecer espontaneamente. A produção de conhecimento tem de ser feita de uma forma que tenha sentido para a criança. Há uma tendência atual muito forte para estimular bebês e isso é um equívoco do meu ponto de vista.
Quais estímulos são equivocados?
Você já deve ter visto diversas coisas do tipo: o adulto coloca o bebê de barriga para baixo para que seu corpo fique firme para quando for caminhar. Há uma ação para fazer o bebê caminhar mais cedo. Misteriosamente, depois que ele caminha, os pais querem que ele fique sentado, parado, em um cadeirão. O mesmo acontece com falar. Já vi professoras passando batom vermelho na boca e falando, com a boca bem aberta, de forma exagerada, na frente do bebê, com a intenção de estimular a fala. Mas, quando ele começa a falar demais, os adultos pedem para ficar quieto. Há uma esquizofrenia em casa e na escola. Dão carrinhos, coisa com som, que fala, que pisca, para que, dois ou três anos depois, seja necessário procurar um médico para perguntar: como posso acalmar meu filho? E aí o médico receita medicamentos. Tenho uma premissa que a gente tem que dar tempo para o bebê ser bebê. Cada fase deve ser respeitada. Há uma tendência de se criar academia para bebês ou sites que estimulam o ensino de Matemática quando ele ainda está em gestação. Estão criando agenda, aula disso, daquilo. Está entendendo a loucura?
Quais são as particularidades dos bebês?
As descobertas do mundo que o bebê faz em um mês valem uma década na vida de um adulto. O adulto não precisa ficar na frente da criança sacudindo um chocalho freneticamente ou falando de forma abestada. O bebê é curioso para descobrir o mundo, basta dar condições para que descubra. Isso implica que ele fique no chão, não naqueles balanços horrorosos. Não precisa estimular, basta garantir formas de ele fazer isso, proporcionar o que se chama de entorno positivo. O espaço que ele fica, em sala, ou em casa, não deve ser grande, nem pequeno demais, mas suficiente para circular. Tem que ser seguro, sem a necessidade de um adulto em volta, falando: ‘não faz isso’, ‘não faz aquilo’. O adulto deve se manter no campo visual e auditivo da criança, sustentando-a emocionalmente com sua presença, mas sem interromper ou intervir nas experiências dela. É preciso ter desafios para a criança, aos quais ela se dedicará quando aquilo se configurar como um desafio.
Como por exemplo...
Uma caixa no meio da sala, que faz um degrau. O bebê vai subir e descer engatinhando, quando estiver pronto para aquilo. Isso promove a descoberta de seu corpo, que vai providenciar uma organização para executar a ação de caminhar. O entorno positivo exige materiais adequados. Que encaixam, que dão para empilhar, que cabem um dentro do outro. Não precisa ser da Fisher Price ou outra marca famosa. Caixas, potes. Isso dá possibilidade de a criança descobrir o mundo.
Como convencer os pais que não é preciso tantos estímulos para os bebês terem um bom desenvolvimento?
Na verdade, os pais estão no direito de ignorância deles sobre o assunto. O que a gente precisa é de professores que tenham um argumento melhor que a Ana Maria Braga, entende o que digo? Os pais têm direito de achar interessante aquilo que a Ana Maria Braga mostrou para o neto dela, aquilo que a Adriane Galisteu fez para o filho dela, essas modinhas que aparecem no Facebook e na televisão. Quem tem que mostrar que isso não é benefício é a escola, o professor. Pensar o processo educativo nos primeiros anos de vida tem que ser processo de corresponsabilidade família e escola. Isso implica chamar os pais para o diálogo e mostrar o que é aprender na infância, qual o valor da experiência de vida dessas crianças.
O ensino em período integral é benéfico para a criança?
Se a escola for boa para a criança, sim. O ideal seria ficar um turno com a família, outro na escola. Mas as famílias não se organizam assim, a rotina de trabalho dos pais não é essa, independentemente se são ricas ou pobres. Então temos que pensar, nesse tempo em que as crianças estão na escola, 10, 12 horas, é preciso construir um processo educativo de qualidade. Não são dois turnos de trabalho, é outra relação. É preciso compreender que a experiência educativa, aprender a comer, o ritual do sono, o deslocar pela escola é uma grande aprendizagem, tem que ser pensada ao longo da jornada. Depois, os pais precisam refletir como será o tempo que passarão com os filhos, que não pode ser mediado pela televisão. Que seja de encontro, conversa, carinho.
Qual a maior dificuldade para termos o ensino infantil integral de qualidade?
Há um desafio financeiro, mas vai além disso. É um desafio conceitual. Precisamos mobilizar os gestores públicos para compreenderem o que é infância, o que é ser criança, numa fase anterior a essa proposta de financiamento, até para que o financiamento se dê de forma correta.


sábado, 23 de novembro de 2013

Um bom espaço para as crianças

Gosto de tudo o que é feito para as crianças e que tenha partido de uma reflexão, diálogo ou olhar das e com as próprias crianças.
Esta empresa dinamarquesa vem construído parques e projeto divertidos a partir dessa ideia.
O resultado é um repertório incrível de monstros, labirintos, castelos, formas e linhas.
Para conhecer mais, acesse: http://www.monstrum.dk/en

Conheça alguns dos projetos:







sábado, 16 de novembro de 2013

Cidade para pessoas



Das boas novas deste feriado, compartilho um projeto que conheci: "Cidade para pessoas".
Trata-se de um rede de conhecimento sobre o "urbanismo" onde Natália Garcia e Juliana Russo compartilham reflexões sobre o tema da organização urbana na atualidade.
No site, encontramos alguns casos de cidades que estão organizando o seu "hardware" e seu "software" para tornar possível os encontros, o convívio, a vida mais saudável e sustentável.

Acesse o site:http://cidadesparapessoas.com/

Fiquei feliz pois é nesse mesmo sentido que penso ser produtivo seguir as reflexões que o pedagogo italiano Francesco Tonucci já plantou, garantir um lugar para as crianças, ou, uma "cidade para crianças" em que espaços para brincar, para encontrar-se com outras crianças, para divertir-se e explorar o mundo sejam possíveis.

Aproveite a oportunidade de conhecer o site e veja a aula livre: Perceber e pensar a cidade, um bom exercício sobre o nosso lugar no mundo.

Acesse aqui:

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A Educação Infantil no Rio Grande do Sul

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) lança, nesta terça-feira (5), a nova edição da radiografia da educação infantil nos 496 municípios gaúchos. O estudo traz uma estimativa do número de vagas que precisam ser criadas para atender a Emenda Constitucional 59/2009 e o Plano Nacional de Educação (PNE).
O levantamento apresenta, também, a evolução da taxa de atendimento de alunos em creches e na pré-escola no período de 2009 a 2012 e os resultados apresentados por 45 municípios acompanhados pelo TCE-RS desde 2008.
Para a análise, foram comparados dados do último Censo Escolar e do IBGE com as diretrizes do PNE e da EC 59/2009. Desde 2008, a instituição avalia a situação da educação infantil nos municípios como item obrigatório de auditoria.
A apresentação inicia às 14h30, na sala Rosane Heineck Schmitt, localizada no 4º andar do prédio sede do TCE-RS. Participam o presidente do Tribunal de Contas, Cezar Miola, o diretor de Controle e Fiscalização, Leo Richter e os auditores Hilário Royer e Débora Brondani da Rocha, autores do estudo.

Priscila Oliveira - Assessoria de Comunicação Social

Para acessar a Radiografia, clique aqui

Volta ao mundo em 13 escolas

“Volta ao mundo em 13 escolas”! O pessoal do blog Educ-ação passou um ano viajando pelo mundo conhecendo escolas inovadoras e colocando suas experiências em um livro muito bom, agora disponível para download gratuito! 

Para  baixar, clique aqui









Sobre o projeto

Este projeto nasceu de uma motivação coletiva pela busca de modelos inspiradores de educação. Todos fomos e somos impactados profundamente por modelos educacionais desde cedo. Nosso aprendizado formal é um dos grandes responsáveis pelo que “vamos ser”. Quando crianças, nossa vida gira em torno das escolas. Quando jovens, nos deparamos com escolhas de disciplinas que vão delinear nosso futuro. Quando adultos, temos que tomar as mesmas decisões para nossos filhos.  Movidos por inquietações ligadas à forma como entendemos educação hoje, um pequeno grupo se uniu em busca de reflexões e aprendizados em torno do assunto.
Foi assim, com estes desafios em mente, que um grupo de provocadores  sonhou junto e desenhou  um propósito em comum. Foi com um olhar não acadêmico em busca de inspiração que encontramos escolas, espaços de aprendizado, cursos formais e não formais que  estão propondo novos formatos.  Foi assim que chegamos a diversos modelos mundo afora: na India, na Suécia, na Indonesia, na Espanha, na Inglaterra, nos Estados Unidos… e no Brasil. Por acreditarmos na importância de escutar as experiências de quem está vivendo estes novos modelos, decidimos fazer uma jornada presencial por 13 destes espaços, em diferentes países e continentes. Vamos visitar estes locais, conversar com pessoas que compõem as histórias que dão vida e cor a estas iniciativas de educação.
Se quiser nos apoiar de alguma forma, por favor entre em contato: contato@educ-acao.com

Mais informações: http://educ-acao.com/blog/