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domingo, 10 de abril de 2016

É só uma caixa?

Por Paulo Fochi

O que é uma mesa, para uma criança de um ano, independentemente do uso que os adultos fazem dela? É um teto. Pode-se agachar em baixo dela e sentir-se o chefe da casa: de uma casa sob medida, não tão grande e terrível como a casa de gente grande. Uma cadeira é interessante porque se pode empurrá-la aqui e ali, para medir a própria força; pode virá-la e arrastá-la, atravessá-la de mil maneiras. Pode-se bater nela, se malignamente ela nos dá uma pancada: "cadeira feia"!
A mesa e a cadeira, que para nós são objetos consumados e quase invisíveis, dos quais nos servimos automaticamente, são para a criança durante muito tempo materiais de uma exploração ambígua é pluridimensional, onde são as mãos o conhecimento e a fabulação, a experiência e a simbolização.
RODARI, 1982, p. 87


Gianni Rodari, em um de seus textos do livro Gramática da Fantasia, comenta que para uma criança uma mesa não é apenas uma mesa. Gosto dessa provocação de Rodari, aliás, a considero produtiva para irmos construindo a respeito da docência na educação infantil. São dois aspectos que gostaria de comentar, a saber: a preparação dos contextos e a expectativa adulta.

Já se sabe muito que a organização de materiais e espaços adequados oferecem para as crianças múltiplas possibilidades de investigar, descobrir e formular suas teorias sobre o mundo. Junto a isso, ter tempo adequado para que as crianças possam fazer suas investidas sem pressa é estruturante para a ideia que estamos aqui tratando.
Na esteira deste pensamento, a escolha de materiais abertos, disponíveis para que as crianças possam explorar, inventar, fantasiar e, mais ainda, estruturar a partir de suas ideias e hipóteses podem ser fontes inesgotáveis de brincadeiras.

Rodari fala que a "criatividade é sinônimo de pensamento divergente, isto é, de capacidade de romper continuamente os esquemas da experiência. É criativa uma mente que trabalha, que sempre faz perguntas, que descobre problemas onde os outros encontram repostas satisfatórias" (RODARI, 1982, p. 140). Aqui entra a questão das expectativas do adulto ao preparar uma proposta, ou, oferecer um material para as crianças.
Fazer uma proposta imaginando aonde as crianças devem chegar, o que irão descobrir e, portanto, como devem fazer, é sempre uma simplificação da rica possibilidade que reside no encontro entre os meninos e meninas com os materiais não estruturados.
Gosto desta imagem do Tonucci. Ela revela exatamente o que se esconde nas "atividades" que os adultos pensam para as crianças: pobreza, simplificação, estereótipos.

Ao contrário disto, podemos se aventurar no desconhecido, ou melhor, colocar as nossas energias em criar contextos abertos, ricos e diversificados. Uma caixa, por exemplo, nas mãos de uma criança, jamais permanece "apenas uma caixa".  Ela se transforma em cenários, adereços, esconderijos... Quando disponibilizada com outros materiais que "combinam" com ela -  por exemplo cordas, cones, prendedores de roupa - mais interessante e fora do controle do pensamento adulto a experiência poderá se transformar. 



Aqui no Catadores da Cultura Infantil nós já postamos um simpático vídeo, as aventuras de uma caixa. Vale recordar ele para se inspirar. Pense nisso!!!


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mais brincadeiras, mais movimentos: mais infância - Francesco Tonucci

O fabuloso Francesco Tonucci faz conferência sobre brincar e infância. São três partes da conferência e vale muito a pena assistir.