O que é uma mesa, para uma criança de um ano, independentemente do uso que os adultos fazem dela? É um teto. Pode-se agachar em baixo dela e sentir-se o chefe da casa: de uma casa sob medida, não tão grande e terrível como a casa de gente grande. Uma cadeira é interessante porque se pode empurrá-la aqui e ali, para medir a própria força; pode virá-la e arrastá-la, atravessá-la de mil maneiras. Pode-se bater nela, se malignamente ela nos dá uma pancada: "cadeira feia"!
A mesa e a cadeira, que para nós são objetos consumados e quase invisíveis, dos quais nos servimos automaticamente, são para a criança durante muito tempo materiais de uma exploração ambígua é pluridimensional, onde são as mãos o conhecimento e a fabulação, a experiência e a simbolização.
RODARI, 1982, p. 87
Gianni Rodari, em um de seus textos do livro Gramática da Fantasia, comenta que para uma criança uma mesa não é apenas uma mesa. Gosto dessa provocação de Rodari, aliás, a considero produtiva para irmos construindo a respeito da docência na educação infantil. São dois aspectos que gostaria de comentar, a saber: a preparação dos contextos e a expectativa adulta.
Já se sabe muito que a organização de materiais e espaços adequados oferecem para as crianças múltiplas possibilidades de investigar, descobrir e formular suas teorias sobre o mundo. Junto a isso, ter tempo adequado para que as crianças possam fazer suas investidas sem pressa é estruturante para a ideia que estamos aqui tratando.
Na esteira deste pensamento, a escolha de materiais abertos, disponíveis para que as crianças possam explorar, inventar, fantasiar e, mais ainda, estruturar a partir de suas ideias e hipóteses podem ser fontes inesgotáveis de brincadeiras.
Rodari fala que a "criatividade é sinônimo de pensamento divergente, isto é, de capacidade de romper continuamente os esquemas da experiência. É criativa uma mente que trabalha, que sempre faz perguntas, que descobre problemas onde os outros encontram repostas satisfatórias" (RODARI, 1982, p. 140). Aqui entra a questão das expectativas do adulto ao preparar uma proposta, ou, oferecer um material para as crianças.
Fazer uma proposta imaginando aonde as crianças devem chegar, o que irão descobrir e, portanto, como devem fazer, é sempre uma simplificação da rica possibilidade que reside no encontro entre os meninos e meninas com os materiais não estruturados.
Gosto desta imagem do Tonucci. Ela revela exatamente o que se esconde nas "atividades" que os adultos pensam para as crianças: pobreza, simplificação, estereótipos.
Ao contrário disto, podemos se aventurar no desconhecido, ou melhor, colocar as nossas energias em criar contextos abertos, ricos e diversificados. Uma caixa, por exemplo, nas mãos de uma criança, jamais permanece "apenas uma caixa". Ela se transforma em cenários, adereços, esconderijos... Quando disponibilizada com outros materiais que "combinam" com ela - por exemplo cordas, cones, prendedores de roupa - mais interessante e fora do controle do pensamento adulto a experiência poderá se transformar.
Aqui no Catadores da Cultura Infantil nós já postamos um simpático vídeo, as aventuras de uma caixa. Vale recordar ele para se inspirar. Pense nisso!!!
A DVDteca é composta por 162 documentários sobre arte brasileira, em especial a contemporânea, que engloba a produção de várias regiões do país, e está disponível para empréstimo gratuito na Rede Arte na Escola.
"Para conhecer, é necessário eleger entre incertezas pertinentes"
Alfredo Hoyuelos
Nas entranhas do pensamento de Loris Malaguzzi, conhecer está relacionado com a dimensão estética. Para o pedagogo, a estética é uma condição de estarmos em ressonância com o mundo.
Conhecer é esta vibração estética da criança com o mundo a sua volta, "é a vibração estética que nos empurra a dar nomes, nomes as figuras e cores, e as figuras e cores que parecem não existir" (MALAGUZZI, 1995, p.83).
Por isso, para as crianças bem pequenas, conhecer é algo que envolve a escolha e o desejo em nomear poeticamente as diversas experiências vividas nos tempos e espaços, na interação com a materialidade e nos encontros com seus pares.
Construir conhecimento é um processo de eleição de valores a partir dos objetos que provocam o desejo por compreende-lo, por dominá-lo para transformar em algo que possa responder as perguntas provisórias que cada criança carrega consigo.
Assim, como uma provocação, compartilho algumas imagens que podem "seduzir esteticamente" os meninos e meninas para construir conhecimentos. Um espaço satisfatório e convidativo, com materiais inteligentes podem configurar a organização de um bom contexto para as crianças.
Compartilho o documentário "Muito além do peso" exatamente na semana em que o Senado aprova a proibição de alimentos considerados de baixo teor nutricional em cantinas escolar e, além disso, que também proíbe a utilização desses alimentos em seus cardápios.
São alarmantes os dados mostrados, tanto em relação a quantidade de açúcar, sal e gordura dos alimentos, como da quantidade de crianças com problemas causados em função da obesidade ou do sobrepeso. Mas, a mim, é mais assustador ainda perceber o quanto natural tornou-se tais hábitos na vida cotidiana das famílias.
Nesse sentido, destaco algo que durante o documentário é dito pelos pais diversas vezes, "ele gosta", "ele só come isso". O gostar parece estar associado a "natureza" da criança, como se o Ruffles, a Coca-Cola ou, o Macdonald's viesse "embutido" no DNA das crianças.
A criança PASSA a gostar, ou, a criar o hábito por tais produtos a partir do momento que estes são apresentados ou, estão presentes no seu dia a dia. É certo que, como bem destaca o documentário, a TV e a mídia são aliadas a proliferação de tais comportamentos, no entanto, quem compra, quem também consome e, quem deixa a disposição das crianças em suas casas, são os adultos "responsáveis" por elas.
Além disso, fiquei pensando em relação a escola. Não raro, nas festas de aniversário, comemorações de datas festivas, os pedidos e "orientações" das escolas são justamente esses e outros produtos alimentares. Ainda temos a crença de que isso não faz parte do currículo escolar, infelizmente. Pois ao contrário do que se pensa, essa orientação e essa porta que a escola abre a alimentos bons ou ruins também faz parte do processo educacional, ou seja, também está dentre as narrativas das quais vamos situando as crianças no mundo. Também prenuncia que tipo de sociedade a escola está desejando.
Compartilho o documentário para que pais, professores, gestores educacionais e formadores possam pensar, refletir e dialogar sobre "MUITO ALÉM DO PESO".
Mais informações sobre o documentário, aqui.
Mais informações sobre a proibição da
venda de alimentos gordurosos pode ser acessado aqui.
O CineCaramelo é um
festival infanto-juvenil que tem o objetivo de trazer diversão e
informação para crianças e adultos. Sim, aqui tem lugar para todo
mundo!
Durante
o dia, aventura e animação em sessões para o público infanto-juvenil
abrem caminho para a reflexão acerca de temas como a diversidade
cultural, uso consciente da tecnologia, consciência ecológica,
valorização da amizade, afeto e amor à família. A programação conta com
diversos filmes brasileiros, uma mostra especial do lendário diretor de
animês Hayao Miyazaki e produções locais. Mães com seus bebês de até 18 meses ganham uma sessão especial através de uma parceria com o projeto CineMaterna. A sala vai estar especialmente preparada para acolher os bebês com todo o conforto.
À noite, filmes para adultos
seguidos de debates. As sessões comentadas vão trazer questões
importantes da formação das nossas crianças e adolescentes. Consumo e
infância, obesidade infantil, bullying e políticas públicas
assistenciais são alguns dos temas que poderão ser debatidos com
profissionais de diversas áreas após a exibição dos filmes.
De 11 a 17 de junho o festival faz uma itinerância
em quatro escolas públicas de Porto Alegre. Serão exibidos filmes e
realizadas as oficinas de Animação em flipbook, Contação de histórias e
Mediação de conflitos para crianças. De 14 a 20 de junho, o festival vai
estar no Cine Santander.
São duas semanas de atividades com tudo gratuito, para todo mundo poder participar! O CineCaramelo é uma realização da Bureau de Cinema e Artes Visuais com financiamento do FAC - Fundo de Apoio à Cultura Edital 02/2012 da Secretaria Estadual de Cultura do RS.
Essa pesquisa apresenta fragmentos de alguns dos
movimentos que são produzidos em escolas de Educação Infantil a partir de
agrupamentos mistos/integrados de crianças no município de Novo Hamburgo (NH).
Misturam-se, aqui, idades, pensares, autores, imagens e falas de professoras:
isso que se produz “entre” e que faz o pensamento sair do seu lugar comum e
girar. Pensamento-pião.
Trabalho
de Conclusão de Curso de Especialização apresentado como requisito
parcial para a obtenção de título de Especialista em Educação Infantil,
pelo Curso de Especialização em Educação Infantil da Universidade do
Vale do Rio dos Sinos- UNISINOS
Para citar: PREZZI, Cíntia Uebel. Vamos rodar o pião? Educação em movimento: a mistura de idades da Educação Infantil. São Leopoldo, 2013. 47 f. Monografia
(Especialização em Educação Infantil). Universidade do Vale do Rio dos
Sinos, São Leopoldo, 2013.
Trabalho realizado a partir de observações e interações com jogos de consciência fonológica na turma de Educação Infantil, Pré II B, do CMEB Santo Inácio, Esteio, no decorrer do ano de 2012.
Trabalho
de Conclusão de Curso de Especialização apresentado como requisito
parcial para a obtenção de título de Especialista em Educação Infantil,
pelo Curso de Especialização em Educação Infantil da Universidade do
Vale do Rio dos Sinos- UNISINOS
Para citar: FIUZA, Cristiane Nobre. Janela - Panela - Canela: a consciência fonológica invade a Educação Infantil. São Leopoldo, 2013. 47 f. Monografia
(Especialização em Educação Infantil). Universidade do Vale do Rio dos
Sinos, São Leopoldo, 2013.
Falar de Educação Ambiental. Não dos problemas ambientais, ou das
batalhas, ou das causas. Nem mesmo das consequências ou da necessidade
de mudança de comportamento a fim de evitar catástrofes. Falar de
Educação Ambiental para crianças ainda pequenas. Falar de alegrias,
beleza e encantamento. Falar de criança, falar de árvore, falar de comer
fruta no pé, falar de vida! Falar e cartografar. Cartografar os
primeiros encontros com a natureza, experienciados pelas crianças das
escolas municipais de EducaçãoInfantil de Novo Hamburgo. Cartografar e
acompanhar os processos de composição da subjetividade destes sujeitos.
Refletir e propor caminhos para a EducaçãoAmbiental na Educação
Infantil.
Trabalho de Conclusão de
Curso de Especialização apresentado como requisito parcial para a
obtenção de título de Especialista em Educação Infantil, pelo Curso de
Especialização em Educação Infantil da Universidade do Vale do Rio dos
Sinos- UNISINOS
Para citar: MORAES, Rita Jaqueline. Osso de árvore. São Leopoldo, 2013. 61 f. Monografia
(Especialização em Educação Infantil). Universidade do Vale do Rio dos
Sinos, São Leopoldo, 2013.
Essa pesquisa busca entender as
maneiras como um grupo de crianças se apropria e recria os espaços urbanos. As
crianças residem no Quilombo Urbano Areal da Baronesa que se localiza na região
central de Porto Alegre. Essa pesquisa é um recorte do Projeto Cartografias
Infantis, o percurso acadêmico anterior e os trajetos que possibilitaram esse
estudo também são rastreados. São utilizadas as pistas do método cartográfico
de Kastruo e Escóssia (2009) nesse rastreio e reconhecimento atento dos
sentidos dados pelas crianças aos espaços urbanos. Para pensar as crianças e as
suas relações, com esses espaços, dialogo com Deleuze & Guattari,
entendendo que com eles podemos olhar a cidade como um corpo urbano, funcional
(ainda que por vezes aparentemente caótico), no qual os lugares são demarcados
para que a vida possa se efetivar com uma suposta segurança. A cidade, partindo
desse princípio, apresenta-se como espaço estriado, um rugoso tecido, que
coloca as ações cotidianas, à mercê desta engenharia. Nos espaços urbanos
circula-se, habita-se, trabalha-se, diverte-se, brinca-se. Como considerações
provisórias, percebo que a cidade – ou pelo menos uma das cidades possíveis,
aquela capturada pelos olhares múltiplos das crianças quando olham para essa
grande maquinaria que atende pelo nome de cidade – ganha novas imprecisões em
seus costumeiros contornos.
Palavras – chave: pesquisa com
criança, cartografias infantis, espaços urbanos.